O que é hiperprolactinemia? Diagnóstico e tratamento

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A hiperprolactinemia é uma alteração hormonal caracterizada pelo aumento dos níveis de prolactina no sangue.

Esse hormônio é produzido pela hipófise e necessário para diversas funções do organismo, especialmente relacionadas à reprodução. 

Embora seja mais conhecida por seus efeitos durante a gestação e a amamentação, a prolactina elevada fora dessas situações pode causar impactos importantes na saúde de mulheres e homens.

Isso inclui alterações menstruais, infertilidade, disfunção sexual e outros sintomas que muitas vezes passam despercebidos. 

Portanto, compreender o que é a hiperprolactinemia, como ela é diagnosticada e quais são as opções de tratamento é essencial para preservar a saúde reprodutiva e o bem-estar!

O que é hiperprolactinemia e qual o papel da prolactina no organismo?

A hiperprolactinemia é uma condição caracterizada pela elevação anormal dos níveis de prolactina no sangue, um hormônio produzido pela hipófise, glândula localizada na base do cérebro e responsável por regular diversas funções hormonais do organismo. 

A prolactina tem como principal papel estimular o desenvolvimento das mamas e a produção de leite durante a gestação e o período de amamentação.

Além disso, exerce influência sobre o eixo reprodutivo, interferindo na ovulação, na produção de testosterona e na fertilidade. 

Em pessoas saudáveis, os níveis de prolactina permanecem dentro de uma faixa considerada normal, geralmente de até 30 ng/ml, podendo apresentar pequenas variações conforme o método e o laboratório de análise. 

Quando esses valores se encontram persistentemente elevados fora de situações fisiológicas, pode haver impacto significativo no equilíbrio hormonal.

Dados indicam que a hiperprolactinemia é considerada a endocrinopatia mais comum do eixo hipotálamo-hipófise. 

Em uma população adulta geral não selecionada, a prevalência pode variar em torno de 0,4%, enquanto em grupos específicos, como mulheres que procuram tratamento de fertilidade, a taxa pode chegar a 26,8%.

Já em homens nessa mesma situação, cerca de 2,1% apresentam níveis elevados de prolactina. 

Quais as causas da prolactina elevada?

A elevação da prolactina no sangue pode ocorrer por diferentes motivos, desde situações fisiológicas até doenças que exigem investigação e tratamento:

  • Causas fisiológicas: gravidez, amamentação, estresse físico ou emocional, exercício intenso, sono e estímulo da região mamária podem elevar temporariamente a prolactina;
  • Uso de medicamentos: antipsicóticos, antidepressivos, antieméticos, opioides, anticoncepcionais hormonais, anti-hipertensivos e alguns medicamentos gastrointestinais podem interferir na regulação da prolactina;
  • Prolactinomas: tumores benignos da hipófise produtores de prolactina, sendo uma das causas patológicas mais comuns de hiperprolactinemia;
  • Outros tumores ou lesões da hipófise e região hipotalâmica: podem alterar o controle da secreção de prolactina, mesmo sem produzir o hormônio diretamente;
  • Hipotireoidismo primário: níveis elevados de TRH estimulam a secreção de prolactina, levando ao aumento do hormônio;
  • Doenças renais crônicas: a redução da depuração da prolactina pelos rins pode causar elevação dos níveis séricos;
  • Doenças hepáticas: alterações no metabolismo hormonal podem contribuir para o aumento da prolactina;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): pode estar associada a elevações leves a moderadas da prolactina em algumas pacientes;
  • Hiperprolactinemia idiopática: quando, mesmo após investigação adequada, não é possível identificar uma causa específica.

Quais sintomas a hiperprolactinemia pode causar?

A hiperprolactinemia pode causar diferentes sintomas, que variam conforme o sexo, a idade, o grau de elevação da prolactina e a causa do distúrbio. 

Confira abaixo:

Em mulheres

  • Alterações do ciclo menstrual, como ciclos irregulares ou ausência de menstruação (amenorreia);
  • Dificuldade para engravidar (infertilidade);
  • Produção de leite fora do período de gestação ou amamentação (galactorreia);
  • Redução da libido;
  • Ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual;
  • Diminuição da massa óssea com risco aumentado de osteopenia ou osteoporose em casos prolongados.

Nos homens

  • Redução da libido;
  • Disfunção erétil;
  • Infertilidade;
  • Diminuição da produção de testosterona;
  • Ginecomastia em alguns casos;
  • Galactorreia (rara, mas possível);
  • Redução da massa muscular e da densidade óssea em quadros crônicos.

Em ambos os sexos

  • Alterações de humor;
  • Cansaço excessivo;
  • Dores de cabeça;
  • Alterações visuais, especialmente quando a causa é um tumor hipofisário de maior tamanho.

Como a endocrinologista realiza o diagnóstico da hiperprolactinemia?

O primeiro passo é a análise da história clínica do paciente.

Investigamos sintomas como alterações menstruais, infertilidade, redução da libido, galactorreia, disfunção erétil ou ginecomastia, além do uso de medicamentos que possam elevar a prolactina e da presença de doenças associadas.

A confirmação diagnóstica é feita por meio da dosagem sérica de prolactina.

É importante realizar a coleta em condições adequadas, evitando estresse excessivo, exercício intenso ou estímulo mamário antes do exame, já que esses fatores podem causar elevações transitórias. 

Ademais, quando os níveis de prolactina se mostram persistentemente elevados, solicitamos exames complementares para identificar a causa.

Isso inclui a avaliação da função tireoidiana e testes para descartar doenças renais ou hepáticas. 

Em casos de elevações mais significativas ou quando há suspeita de origem hipofisária, indicamos a realização de ressonância magnética para investigar a presença de prolactinomas ou outras alterações na hipófise. 

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Quais são as opções de tratamento disponíveis?

O tratamento da hiperprolactinemia depende da causa, do grau de elevação da prolactina e da presença de sintomas, seguindo recomendações de entidades como a Endocrine Society.

Em muitos casos, especialmente quando a elevação é leve e assintomática, podemos indicar apenas acompanhamento clínico e laboratorial.

Quando a hiperprolactinemia está relacionada ao uso de medicamentos, a conduta envolve, sempre que possível, a suspensão, substituição ou ajuste da medicação responsável.

Nos casos de prolactinomas ou de elevação persistente com sintomas, o tratamento de primeira linha é medicamentoso.

Utilizamos agonistas dopaminérgicos que reduzem os níveis de prolactina, diminuem o tamanho do tumor quando presente e melhoram os sintomas na maioria dos pacientes. 

Por fim, reservamos o tratamento cirúrgico para situações específicas, como intolerância ou resistência ao tratamento medicamentoso, crescimento tumoral progressivo ou compressão de estruturas adjacentes, especialmente quando há comprometimento visual. 

Hiperprolactinemia: conte com uma endocrinologista especialista

A hiperprolactinemia, na maioria dos casos, não impede uma vida saudável quando diagnosticada e tratada adequadamente. 

A grande parte dos pacientes com prolactinoma apresenta normalização dos níveis de prolactina com o tratamento medicamentoso.

Quando os níveis de prolactina permanecem normais por alguns anos e não há mais evidência do prolactinoma nos exames de imagem, é possível avaliarmos a suspensão da medicação.

É importante destacar que a hiperprolactinemia é uma condição que pode exigir controle a longo prazo, pois em alguns pacientes os níveis de prolactina podem voltar a se elevar após a suspensão do tratamento. 

Ainda assim, muitos mantêm a prolactina normal sem necessidade de retomar a medicação, reforçando a importância do acompanhamento regular.

A Dra. Jéssica Moraes atua com foco em um cuidado humano, avaliando cada paciente de forma integral para definir a melhor estratégia de tratamento e seguimento. 

Se você apresenta sintomas ou já recebeu o diagnóstico de hiperprolactinemia, agende uma consulta com a Dra. Jéssica e conte com um acompanhamento especializado, seguro e atento às suas necessidades!

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