Conheça os sintomas do hipotireoidismo e como tratar a condição

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Os sintomas do hipotireoidismo estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios de endocrinologia e, muitas vezes, passam despercebidos por serem confundidos com estresse, cansaço excessivo ou sinais naturais do envelhecimento. 

O hipotireoidismo é uma condição comum, tratável e que, quando diagnosticada precocemente, permite ao paciente recuperar qualidade de vida, disposição e equilíbrio metabólico.

A tireoide é uma glândula pequena, localizada na região anterior do pescoço, mas com impacto profundo em praticamente todos os sistemas do organismo. 

Quando sua função está reduzida, todo o metabolismo tende a desacelerar, provocando uma série de manifestações clínicas que merecem atenção médica especializada.

O que é o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é uma disfunção da glândula tireoide caracterizada pela produção insuficiente dos hormônios tireoidianos T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina). 

Esses hormônios são fundamentais para o funcionamento adequado do corpo, pois regulam o metabolismo, a temperatura corporal, o funcionamento do coração, do intestino, do cérebro, dos músculos e até da pele e dos cabelos.

Quando há deficiência desses hormônios, o organismo passa a funcionar de forma mais lenta, o que explica a ampla variedade de sintomas associados à doença. 

O hipotireoidismo pode se desenvolver de maneira gradual, o que dificulta sua identificação nos estágios iniciais.

Quais são as causas do hipotireoidismo?

A grande maioria dos casos de hipotireoidismo é classificada como hipotireoidismo primário, ou seja, resulta de alterações na própria glândula tireoide. Estima-se que cerca de 95% dos diagnósticos estejam relacionados a esse mecanismo. 

Já o hipotireoidismo secundário, causado por alterações na hipófise ou no hipotálamo, é consideravelmente mais raro.

Entre as principais causas do hipotireoidismo, destacam-se:

Tireoidite de Hashimoto

É a causa mais comum do hipotireoidismo. Trata-se de uma condição autoimune, na qual o sistema imunológico produz anticorpos que podem ocasionar uma reação inflamatória na glândula, e com o tempo, levar à uma redução progressiva da produção hormonal.

Temos um texto que aborda a tireoidite de Hashimoto, confira!

Tratamentos ou intervenções na tireoide

Pacientes submetidos à remoção parcial ou total da tireoide, bem como aqueles que realizaram tratamento com iodo radioativo, podem evoluir com hipotireoidismo definitivo.

Outras causas

O hipotireoidismo também podem estar associado a outras condições:

  • Tireoidites inflamatórias ou pós-virais;
  • Uso de determinados medicamentos (como lítio e amiodarona);
  • Deficiência ou excesso de iodo;
  • Doenças da hipófise;
  • Doenças infiltrativas da tireoide.

Quais os sintomas do hipotireoidismo?

Os sintomas do hipotireoidismo variam de acordo com a intensidade da deficiência hormonal, o tempo de evolução da doença e as características individuais do paciente.

Em quadros leves, especialmente no início, o paciente pode ser assintomático. No entanto, à medida que a doença progride, os sinais tornam-se mais evidentes.

Entre os sintomas do hipotireoidismo mais frequentes estão:

  • Cansaço excessivo e fadiga persistente;
  • Sonolência e redução da disposição;
  • Ganho de peso, mesmo sem aumento significativo da ingestão alimentar;
  • Intestino preso;
  • Sensação de frio excessivo;
  • Inchaço, especialmente no rosto e nas pernas;
  • Pele seca e fria;
  • Queda de cabelo e fios mais frágeis;
  • Unhas quebradiças;
  • Dores musculares e articulares;
  • Fraqueza muscular;
  • Lentificação do raciocínio e dificuldade de memória;
  • Sintomas depressivos;
  • Alterações no ciclo menstrual;
  • Dificuldade para engravidar e aumento do risco de abortamento;
  • Aumento do colesterol;
  • Elevação da pressão arterial.

Esses sintomas podem impactar de forma significativa a qualidade de vida, o desempenho profissional e o bem-estar emocional do paciente.

Como realizamos o diagnóstico do hipotireoidismo?

O diagnóstico do hipotireoidismo é realizado por meio de exames laboratoriais simples e acessíveis. 

O principal exame é a dosagem do TSH (hormônio tireoestimulante), que costuma estar elevado quando a tireoide não produz hormônios em quantidade adequada. Em casos mais avançados, observa-se também a redução dos níveis de T4 livre e, menos frequentemente, de T3. 

Quando há suspeita de tireoidite de Hashimoto, a dosagem de anticorpos antitireoidianos e realização do ultrassom de tireoide, auxiliam na confirmação diagnóstica.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações metabólicas, cardiovasculares e reprodutivas.

Como é o tratamento do hipotireoidismo?

O tratamento do hipotireoidismo é seguro, eficaz e baseado principalmente na reposição do hormônio que o organismo deixou de produzir. 

A medicação mais utilizada é a levotiroxina, um comprimido que contém o hormônio T4 sintético, com estrutura idêntica ao produzido naturalmente pela tireoide.

A dose é ajustada de forma individualizada, considerando idade, peso, condições clínicas, exames laboratoriais e sintomas do paciente. 

É necessário também avaliação minuciosa de micronutrientes essenciais para a função tireoidiana, como ferro, zinco, selênio, vitamina D e vitamina B12.

Após iniciar o tratamento ou realizar ajustes na dose, é necessário repetir os exames laboratoriais em cerca de 6 a 8 semanas, período necessário para que o organismo atinja um novo equilíbrio hormonal. 

Uma vez estabilizada a dose, o acompanhamento costuma ser feito a cada 6 meses, podendo variar conforme cada caso.

O acompanhamento regular garante que os níveis hormonais permaneçam adequados, evitando tanto sintomas de hipotireoidismo quanto de excesso hormonal.

Quando investigar o hipotireoidismo?

A avaliação da função tireoidiana é recomendada especialmente para pessoas que apresentam maior risco, como:

  • Presença de sintomas sugestivos;
  • Histórico familiar de doenças da tireoide;
  • Doenças autoimunes pessoais ou familiares;
  • Uso de medicamentos que interferem na função tireoidiana;
  • Aumento do volume da tireoide (bócio);
  • Mulheres com dificuldade para engravidar ou alterações menstruais.

Conte com a endocrinologista para cuidar da sua tireoide

Como vimos, o hipotireoidismo é uma condição comum, silenciosa em muitos casos, mas totalmente tratável. 

Reconhecer os sintomas do hipotireoidismo, realizar o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento correto são passos fundamentais para evitar complicações e recuperar o equilíbrio do organismo.

A Dra. Jéssica Moraes especializou-se em Endocrinologia e Metabologia no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e atualmente encontra-se aprofundando sua expertise em tireoide através de pós-graduação e fellow em doenças tireoidianas.

O acompanhamento especializado permite um diagnóstico preciso, ajuste adequado do tratamento e monitoramento contínuo, garantindo mais segurança, bem-estar e qualidade de vida.

Se você apresenta sintomas ou pertence a um grupo de risco, agende sua consulta. Cuidar da tireoide irá te proporcionar uma vida com mais qualidade e bem-estar!

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